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Acordo Mercosul-UE pode gerar até R$ 37,8 bilhões em novas exportações

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Acordo Mercosul-UE pode gerar até R$ 37,8 bilhões em novas exportações

Acordo Mercosul-UE é assinado e cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo

RA

Por Rafael

Publicado em 19/01/20265 min de leitura

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Acordo Mercosul-UE pode gerar até R$ 37,8 bilhões em novas exportações
A assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, após anos de negociação, acende uma luz de novas oportunidades para o agronegócio brasileiro. A expectativa é que o tratado impulsione significativamente as exportações do setor, abrindo portas e reduzindo barreiras para produtos que já detêm forte competitividade no mercado europeu. De acordo com projeções da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o acordo tem o potencial de elevar as exportações brasileiras em até R$ 37,8 bilhões. Uma fatia considerável desse incremento, estimado em uma média anual de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões, será absorvida pelo agronegócio. Embora esse valor represente um aumento marginal de aproximadamente 1% sobre o volume atual das exportações anuais do setor, seu impacto será substancial em cadeias produtivas específicas, que hoje enfrentam tarifas ou cotas restritivas. Cadeias Beneficiadas: Onde o Brasil já é Forte Os maiores ganhos esperados concentram-se em setores onde o Brasil já se destaca globalmente e que se beneficiarão diretamente da redução gradual ou eliminação de tarifas aduaneiras e da ampliação de cotas:
  • Carnes:
    • Bovina: Prevê-se a ampliação de cotas com tarifas reduzidas, favorecendo principalmente produtores e frigoríficos focados na exportação premium.
    • De Frango: A redução gradual de tarifas deve gerar um ganho de competitividade frente a outros fornecedores.
    • Suína: Haverá acesso ampliado ao mercado, apesar das rigorosas regras sanitárias europeias.
  • Café: Produtores de cafés especiais e certificados terão benefício direto com a redução tarifária e a facilitação do acesso a nichos de maior valor agregado.
  • Frutas: Cadeias como manga, melão, uva e limão, além de frutas processadas, ganharão competitividade com a previsibilidade comercial e a diminuição de impostos de importação. Produtores do Nordeste e Sudeste são os mais cotados para colher esses frutos.
  • Produtos Florestais e Celulose: Este é um setor já altamente organizado e exportador, com grande potencial de aumento de volume e redução nos custos de acesso ao mercado europeu.
Desafios e Alertas: Nem Todos os Ganhos São Imediatos Contudo, nem todos os segmentos do agronegócio brasileiro veem ganhos imediatos. Setores como a vitiviniculturaexpressam preocupação com a potencial concorrência de vinhos europeus, mesmo com as cotas e salvaguardas previstas. Similarmente, o setor de laticínios, apesar da proteção gradual, vislumbra riscos de pressão competitiva sobre os produtores menos capitalizados. Para esses segmentos, a adaptação e políticas de defesa comercial internas serão cruciais. Redução de Tarifas: O Mecanismo por Trás dos Ganhos O cerne do acordo reside na redução gradual ou eliminação de tarifas que hoje pesam sobre muitos produtos agroindustriais brasileiros na Europa. Essa medida tem um efeito multifacetado: aumenta a margem de lucro do exportador, melhora a previsibilidade dos contratos e reduz o custo de entrada no mercado europeu. É um ganho estrutural, que se consolidará ao longo dos próximos anos, e não de forma imediata. Ferramenta Digital para Orientar Exportadores Para auxiliar produtores e exportadores a navegarem pelas novas oportunidades, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lançou um painel digital. A ferramenta permite identificar países compradores por produto, consultar tarifas atuais e futuras, acompanhar o cronograma de redução tarifária e analisar a distribuição regional das exportações. Acessível publicamente pelo portal do MDIC, o painel visa orientar desde pequenas cooperativas até grandes tradings. O Que o Produtor Precisa Saber O acordo não é uma garantia automática de vendas, mas sim um facilitador. Ele amplia o mercado potencial e reduz os custos de acesso. Os produtores mais organizados, certificados e estruturados para exportação serão os primeiros a capturar esses ganhos. Aqueles focados exclusivamente no mercado interno podem sentir efeitos indiretos, como uma maior concorrência em certos produtos. Apesar da euforia da assinatura, a plena entrada em vigor do acordo ainda depende da ratificação pelos parlamentos dos países envolvidos, especialmente na União Europeia – um processo que pode levar anos. Essa realidade reforça o caráter estratégico e de médio prazo do impacto desse histórico acordo no agronegócio brasileiro. FONTE

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